Frequentemente sou chamada de preguiçosa por pessoas que dizem compreender a doença. Quando não, me mandam anúncios de emprego, como uma forma velada de comunicar o seu descontentamento em eu não estar no ritmo, que "deveria", na sociedade. Há os piadistas que exibem seu humor desnecessário em frases como "mas para viajar você não tá cansada" ou "ontem você não estava ótima?". E por fim os ouvintes omissos, flanam sobre suas queixas e explicações extensas sobre cada qual, mas na verdade apenas estão a patinar no raso dos seus discursos intermináveis. O que nos resta é o silêncio ensurdecedor da marginalização médica ou o colo dos outros acometidos que trajem as mesmas dores que você. A psiquiatria clássica desaprova esta mobilização de auto-ajuda pois julgam que os sugestionamentos alheios nunca findarão seus sintomas. Que sabem estes "pulhas" sobre estar preso a um corpo semi-vivo em desacordo absoluto com o mundo só por existir? Talvez, a cura da ME, consista na habilidade em não nos preocuparmos em fundir o nosso mundo com mais nenhum outro.
Stephen Hawking narra no livro "O universo na casca de noz", física teórica para leigos, fazendo uma interessante alusão que o universo caberia numa casca de noz. Neste caso, o interior da noz, somos nós e o nosso mundo, a nossa casa (ou para milhares, a cama). O macro no interior do micro. A ME não é nada menos que um mundo dentro de Outro, apenas em nuances diferenciadas para cada fadiga nossa de cada dia. Você já viu uma árvore de noz? Elas são raras no Brasil (no sentido do difícil cultivo) e passam por um processo duro e lento para que ao quebrar sua dura casca, calejada pelas intempéries várias, ela possa ser saboreada. No geral, árvores de nozes não podem tolerar temperaturas muito baixas ou muito altas. Estes somos nós no arvorecer de uma maturidade necessária; saboreando a beleza de qualquer pequeno progresso que seja. Somos também os incontáveis grãos de areia das praias, que olhados ao microscópio, vê-se de formas e composições diferentes. Há areia em quase...

É muito triste
ResponderExcluirFalou e disse... gostei da iniciativa
ResponderExcluirÉ muito estressante esta doença.
ResponderExcluirGostei muito, Vitória ! Sempre vou me espelhar nestas reflexães.👏👏👏
ResponderExcluirAs pessoas estão sempre me ofercenfof trabalho, parece que sou assim porque quero.......
ResponderExcluir👏 Parabens pela coragem só quem passa sabe.
ResponderExcluirParabéns! Eu amei!
ResponderExcluirEsta sensação de estar como um "morto-vivo", é horrível!
ResponderExcluirTemos uma doença debilitante porém invisível, porque ainda não há um marcador biológico concreto para que as pessoas acreditem em nós!
Sigamos firmes! Um dia esta situação mudará e seremos ao menos respeitados!
Uma das coisas bacanas que aprendi com nossa síndrome foi mandar um monte de gente tomar naquele lugar. (Gente que não respeita o que temos e o que passamos). Tem sido altamente curativo e libertador ter-me tornado menos polido. (risos).
ResponderExcluirAcho incrível a facilidade que você tem para escrever . Muito bom!
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