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O un(inverso) na casca de noz

Stephen Hawking narra no livro "O universo na casca de noz", física teórica para leigos, fazendo uma interessante alusão que o universo caberia numa casca de noz. Neste caso, o interior da noz, somos nós e o nosso mundo, a nossa casa (ou para milhares, a cama). O macro no interior do micro. A ME não é nada menos que um mundo dentro de Outro, apenas em nuances diferenciadas para cada fadiga nossa de cada dia.
Você já viu uma árvore de noz? Elas são raras no Brasil (no sentido do difícil cultivo) e passam por um processo duro e lento para que ao quebrar sua dura casca, calejada pelas intempéries várias, ela possa ser saboreada. No geral, árvores de nozes não podem tolerar temperaturas muito baixas ou muito altas. Estes somos nós no arvorecer de uma maturidade necessária; saboreando a beleza de qualquer pequeno progresso que seja.
 Somos também os incontáveis grãos de areia das praias, que olhados ao microscópio, vê-se de formas e composições diferentes. Há areia em quase todas praias do mundo, mas elas não são iguais. Contudo, todas são areia. Como a areia, estamos em todas as partes do globo terrestre. Ignorados, estudados, observados, estamos. 
Existimos como noz frente às galáxias, como areia frente e fundo aos oceanos e somos milhares. Não detemos, AINDA, o quanto somos em cada parte do mundo, mas o nosso belo porvir irá nos encontrar, como o sol que encontra as tímidas sementes no solo a brotar novas esperanças.



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