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Mostrando postagens de abril, 2019

Prazer, sono

Há uma discordância tão radical quanto a necessidade de que cada um necessita dormir para estar bem, que este assunto quase desemboca na III Guerra mundial. Não há paz que console o "coração aflito" daquelas pessoas as quais levantam às 04 e dormem às 22, pois as mesmas não se permitem analisar que há mais mundos dentro da pequena realidade "que ela" criou para si.   Eu já estive nos dois lados da bancada. No lado A, o horário comercial do mundo - tudo que fugir dele é aberração, portanto, marginalizado. Já no lado B, descobrindo há quase três anos (na tentativa e erro) a necessidade vital de me manter "bem" com uma quantidade polêmica de horas de sono. Em todo este enredo, é inevitável, o envolvimento da ditatorial culpa no "in" e no "exo". No latim, temos culpa, no sentido de "delito", "erro", "vício". E isso nos leva a uma profunda reflexão. Porquê devemos culparmo-nos ou assimilar a culpa alheia se a ...

PEM - O sinal vermelho

Olho para este complexo nome, post-exertional malaise*  e indago-me, sempre, q uando devo saber quando parar se me sinto bem.  Me sentindo assim, quero gozar em plenitude, o gosto de experimentar a vida tal como um uma fruta madura; como um ser humano comum que senta em uma praça e observa a paisagem...  Sempre me pergunto se algum dia serei capaz de identificar a tênue linha que há entre o bem de agora e o mal que mora no após. Hoje, pode ser uma ida à feira. Amanhã, uma pequena limpeza na casa ou mesmo, apenas a visita de um amigo.  Vida, conceda-me a régua necessária para que junto ao meu senso, eu equacione adequadamente o quanto posso ser eu mesmo sem medo do amanhã e do depois. * https://me-pedia.org/wiki/Post-exertional_malaise

"Temos nosso próprio tempo"

Se tempo é dinheiro, quanto custa o meu tempo sem movimento?  Custa a minha disposição em aceitar que os minutos passam mais devagar quando ao invés de que eu observe o relógio, é ele que me observa, me absorve, me absolve das minhas culpas estruturais, as quais, de hoje mais nada servem. Observo o relógio do mundo e o mesmo é uma grande armadilha de angústia e fadiga mental. De certo, ponho-o de lado e prefiro orientar-me pelo sol que reluz alegre iluminando o verde das folhas, pelas nuvens cinzas que anunciam chuva e o entardecer ou mesmo o céu negro com sua lua plena a iluminar minha janela. Sigo os dias pelo viés delicado do meu relógio biológico a dizer -me que preciso de café ou a noite que cai como uma cortina de um teatro que encerra o seu espetáculo onde o descanso profundo é raro, mas se faz necessária a diária tentativa. Não há muito mais a dizer de que tenho o meu, de que "temos o nosso próprio tempo".

Ignorância crônica

Frequentemente sou chamada de preguiçosa por pessoas que dizem compreender a doença. Quando não, me mandam anúncios de emprego, como uma forma velada de comunicar o seu descontentamento em eu não estar no ritmo, que "deveria", na sociedade. Há os piadistas que exibem seu humor desnecessário em frases como "mas para viajar você não tá cansada" ou "ontem você não estava ótima?". E por fim os ouvintes omissos, flanam sobre suas queixas e explicações extensas sobre cada qual, mas na verdade apenas estão a patinar no raso dos seus discursos intermináveis. O que nos resta é o silêncio ensurdecedor da marginalização médica ou o colo dos outros acometidos que trajem as mesmas dores que você. A psiquiatria clássica desaprova esta mobilização de auto-ajuda pois julgam que os sugestionamentos alheios nunca findarão seus sintomas. Que sabem estes "pulhas" sobre estar preso a um corpo semi-vivo em desacordo absoluto com o mundo só por existir? Talvez, a cura ...