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1825 dias

São Gonçalo, 01/12/21 - Rio de Janeiro 1826 dias que a Síndrome da fadiga crônica/ EM/SFC/ME se instalou em minha vida e nunca mais me ABANDONOU. A sensação que tenho, à vista, é que envelheci 10 anos, adquiri 40 quilos entre medicações e compulsões por doces provocadas por desterro e também por medicações. Esta é uma tentativa, talvez falha, de autoescrita, um expurgo (amargo como bílis) de um vômito onde o estômago está vazio. Vazio de alguma mínima vida que se preze viva como narrada, de esperança, de alegria, de vitalidade, de um amor fajuto que se preze a abraçar ainda que com garras de lobo, este cenário insólito que é quarar a existência de olhos embaçados sem rumo ou ponto de chegada. 
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Diagnot

Há três anos sem direcionar a minha pessoa uma única frase, eis que a exclamação se entrega retumbante e coesa em meu aplicativo de mensagens: "o que houve que está na cama?". Como um eco de voz no alto de uma montanha, a frase ecoou, ecoou, ecoou e não encontrou nada em meu banco de dados cerebral que não soasse no mínimo uma resposta absurda e irônica no nível de "achei os lençóis incríveis e resolvi tirar foto com eles".  Entretanto, tomei um gole de mim, traguei uma ou duas vezes minhas dores e respondi com a faceta de um monge tibetano que era a doença que sou portadora. Não bastando, recebo em retorno "ah, aquilo que você estava investigando?". A vontade era de responder que a vida estava tediosa demais e eu precisava de desafios grandes, daí criei uma doença rara, sem reconhecimento e com um péssimo diagnóstico para me sentir motivada. E gastar mais a energia, que não tenho, com gente que não vale a pena? Não. Respondi o nome, o que significa, o q...

O un(inverso) na casca de noz

Stephen Hawking narra no livro "O universo na casca de noz", física teórica para leigos, fazendo uma interessante alusão que o universo caberia numa casca de noz. Neste caso, o interior da noz, somos nós e o nosso mundo, a nossa casa (ou para milhares, a cama). O macro no interior do micro.  A ME não é nada menos que um mundo dentro de Outro, apenas em nuances diferenciadas para cada fadiga nossa de cada dia. Você já viu uma árvore de noz? Elas são raras no Brasil (no sentido do difícil cultivo) e passam por um processo duro e lento para que ao quebrar sua dura casca, calejada pelas intempéries várias, ela possa ser saboreada. No geral, árvores de nozes não podem tolerar temperaturas muito baixas ou muito altas. Estes somos nós no arvorecer de uma maturidade necessária; saboreando a beleza de qualquer pequeno progresso que seja.  Somos também os incontáveis grãos de areia das praias, que olhados ao microscópio, vê-se de formas e composições diferentes. Há areia em quase...

Lida

A saúde parece óbvia e linear quando não se está doente. Nesta condição "infame", que já estive, pergunto ao meu Eu passado todos os dias, uns aos prantos, outros a navalha: o óbvio é realmente ululante? Quem nos observa, vê-nos inteiro? A dor, o medo, o desamor, o abandono? E o silêncio reina incólume... Alguém saberá, algum dia, o preço que pagamos (e pagaremos), por exceder-nos no sabor de um prato sempre evitado, nas horas a mais de risadas mesmo imóveis ao telefone excitando o cérebro, e no "logo mais", perdendo o sono? Fernando Pessoa indaga no seu Poema em linha reta : "Onde há gente no mundo?" É possível que já não houvesse, à época, a mínima sensibilidade que fosse com as almas amalgamadas aos muitos degredos do (re)existir.

Prazer, sono

Há uma discordância tão radical quanto a necessidade de que cada um necessita dormir para estar bem, que este assunto quase desemboca na III Guerra mundial. Não há paz que console o "coração aflito" daquelas pessoas as quais levantam às 04 e dormem às 22, pois as mesmas não se permitem analisar que há mais mundos dentro da pequena realidade "que ela" criou para si.   Eu já estive nos dois lados da bancada. No lado A, o horário comercial do mundo - tudo que fugir dele é aberração, portanto, marginalizado. Já no lado B, descobrindo há quase três anos (na tentativa e erro) a necessidade vital de me manter "bem" com uma quantidade polêmica de horas de sono. Em todo este enredo, é inevitável, o envolvimento da ditatorial culpa no "in" e no "exo". No latim, temos culpa, no sentido de "delito", "erro", "vício". E isso nos leva a uma profunda reflexão. Porquê devemos culparmo-nos ou assimilar a culpa alheia se a ...